• A Metodologia

Como está sendo exposto nas diversas áreas deste site, o Diário de ideias é um caderno/diário personalizado pelo aprendiz para registros espontâneos de ideias, observações do mundo de forma geral, experiências, dentre outros interesses de registro. Ele em si é uma metodologia para o processo de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita, com ênfase no caráter autoral e criativo dos estudantes.

Para compreender o trabalho com o Diário de ideias, temos três palavras em ação que o definem:

-Experienciar 

-Registrar 

-Compartilhar

  • Bases teóricas

A metodologia com o Diário de ideias se funda:

– na perspectiva cultural-histórica e tem como pilar a Teoria da Subjetividade desenvolvida por González Rey;

– na concepção de aprendizagem criativa desenvolvida por Mitjáns Martínez como processo da subjetividade humana;

– nos círculos de Cultura de Paulo Freire;

– no conceito de experiência de Jorge Larrosa;

– nos trabalho de Célestin Freinet pautado nos processos de comunicação e no desenvolvimento humano mediante a aprendizagem da leitura e da escrita;

– bem como em nossas investigações no campo da aprendizagem criativa da leitura e da escrita.

  • Objetivos

Os objetivos que abarcam o trabalho com o Diário de ideias são:

a) Criar espaço de registro e investigação da escrita e da leitura de mundo pela criança;

b) Entrelaçar as propostas do trabalho pedagógico com as experiências da vida dos aprendizes;

c) Oportunizar às crianças a compreensão da leitura e da escrita como processos de comunicação, produção e expressão;

d) Contribuir para o desenvolvimento da subjetividade.

  • Sua importância

O trabalho com o Diário fomenta a participação ativa, autoral e protagonista dos estudantes e professores em um processo que envolve aprender e ensinar com o outro

Uma metodologia que cria um espaço-tempo no contexto da sala de aula para que os estudantes expressem suas ideias, interesses, gostos, experiências e muito mais, o professor se mune de recursos para planejar as aulas, para conhecer a história de vida de cada estudante e promover ações junto aos familiares, que contribuam para a constituição de uma comunidade educativa, em que todos estejam engajados no processo de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita.

Busca-se romper com a ideia de que ler e escrever são cópias, apenas decodificação, mas insere o estudante na experiência de ler e escrever como processos de comunicação, expressão e criação.

  • O professor

Com o Diário de ideias é proposto que o professor convide os aprendizes a participarem das ações, o que requer do professor a criatividade para propor possíveis adequações e/ou mudanças nos instrumentos, de modo a favorecer a atuação espontânea e o interesse da criança. Ao longo do processo o professor pode e deve realizar registros em seu diário, assim como vídeos, fotos e áudios dos momentos e instrumentos.

  • Nossos processos

Entrega dos Diários

A entrega dos diários é um momento muito especial que cria interesse e significado nas ações para as crianças. Iniciamos com um momento de apreensão da história da escrita, compreendendo suas origens e realizando um trabalho com argila, forma primária de registro escrito. Também realizamos leitura de histórias que se relacionam ao importante momento de afeiçoamento com a escrita e a leitura, as histórias são: Pirata de Palavras e O menino que aprendeu a ver. Em seguida realizamos um momento de descobertas pela escola, apreciado bastante pelas crianças, no qual todos têm sua prancheta, papel e lápis para registrarem as palavras que chamem atenção e que considerem importantes que estão pela escola. Ao final, realizamos a mágica Caça ao tesouro, com pistas escondidas pela escola, que levam ao tesouro, e dentro desse tesouro, estão os diários das crianças.


Como funciona?

Após conheceram o diário de ideias e sua proposta, iniciam-se os momentos de Roda, que acontecem semanalmente em sala. Nos registros das crianças no diário de ideias, estão presentes as diferentes linguagens das crianças para expressão de suas experiências.

Dentre outros elementos, elas registram: palavras, frases, textos, criam palavras, inventam histórias, fazem colagens de rótulos, fotos, imagens diversas, dentre outros materiais, curiosidades, gostos, preferências, interesses por temas diversos, elaborações pessoais, dentre outros. Por isso, é imprescindível que os registros do diário sejam trocados com os familiares, bem como entre os colegas na escola, momento que denominamos de “Colcha de retalhos: linhas de experiências”.

Para isso, semanalmente, utilizo uma colcha de retalhos para nos sentarmos sobre a mesma e compartilharmos nossas experiências registradas em nossos diários. Neste momento, fazemos o Planejamento das ações e das nossas aulas, incluindo ideias e possibilidades que são colocadas pelos estudantes. Para tanto, efetuamos as Linhas de experiências que consiste em registrar da forma que desejarem, em um papel avulso, o que mais gostaram da roda e do projeto, a produção de todos é colocada em um painel, com seus nomes, para que assim outros colegas vejam as produções dos colegas e se interessem pelo que o outro produziu e achou interessante.

Além desses momentos,também existe o Diário de ideias da turma, um diário que fica disponível em local acessível para toda turma, para que façam livres registros individuais ou coletivos, que estarão visíveis para todos. Também contamos com o painel de ideias da turma, que se trata de um espaço muito estimulado para registrarem as ideias diversas de projetos, duvidas, sugestões, para serem colocadas em prática com a turma.

Diálogo com os familiares

Um desafio é engajar as crianças no exercício de escrever suas experiências, na leitura do mundo e é fundamental a parceria da família nesse processo, pois muitos registros podem estar vinculados às experiências em contextos sociais fora da escola. Realizamos trabalhos formativos com familiares em diferentes momentos ao longo do ano letivo, temos diálogos com os familiares sobre concepções de leitura e escrita, sobre a forma como esses processos participam da vida deles, bem como para compreender as expectativas destes em relação à aprendizagem dos estudantes, as diferentes formas como a leitura e a escrita estão presentes no cotidiano das famílias, os vínculos afetivos e as interações entre familiares e estudantes, dentre outros temas. Realizamos juntos com os familiares a leitura do poema “O homem da orelha verde”, promovendo um momento de reflexão sobre os tipos de registros que fazemos das crianças e a forma como podemos ampliar a escuta para o que elas nos relatam.


O que precisamos?

Diário de ideias para todos os participantes; Colcha de retalhos para os momentos de compartilhar em roda; baú para esconder os diários na caça ao tesouro; sacolinhas para os diários ficarem bem guardados na mochila, já que eles estão constantemente com as crianças; painel para colocar as Linhas de experiências de cada criança; um Painel de ideias coletivo para as ideias da turma; e um caderno que sirva de Diário de ideias da turma. 


Avaliação

A avaliação é um processo constante de Observação, escuta atenta e Diálogo. O próprio Diário de ideias é um instrumento para acompanhamento de cada aprendiz, de seu desenvolvimento ao longo do tempo. Também utilizamos a Trilha da Aprendizagem, que se trata de uma auto-avaliação, onde diariamente a criança registra em uma folha adaptada, como está ou como agiu naquele dia. Assim será possível acompanhar a aprendizagem e o desenvolvimento de cada estudante e da turma como um todo, em um processo de avaliação processual com tomada de decisões e proposições de ações visando à aprendizagem e ao desenvolvimento de todos.

Em uma avaliação formativa, em que o próprio estudante acompanha o seu processo de aprendizagem e desenvolvimento de modo propositivo para possíveis caminhos a serem trilhados em seu processo de descobertas.